Por Ir. Paulo Cesar Sarraipa, crs.

 

O ano de 2017 a pouco concluído e o de 2018 marcam um período muito rico e frutuoso na história da Igreja, da Igreja no Brasil e da Congregação Somasca. Diversos acontecimentos ressaltam o ardor missionário que, em atenção à voz do Ressuscitado, se intensifica através de inúmeros fiéis que testemunham a Boa Nova do Evangelho até os confins da terra. 
Após a conclusão do Ano da Misericórdia e do Ano Mariano a Igreja se prepara para celebrar o Sínodo da Juventude. A Igreja no Brasil instituiu o Ano do Laicato e propõe como tema da Campanha da Fraternidade deste ano “Fraternidade e Superação da Violência” com lema “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8). Já a família Somasca comemorou a pouco os 250 anos da canonização e no próximo dia 14 de março festeja os 90 anos da proclamação de São Jerônimo Emiliani a Patrono Universal dos órfãos e da juventude abandonada. 
Estes acontecimentos, quando vistos com os olhos da fé, manifestam como o carisma de São Jerônimo é atual e necessário aos homens e à Igreja;  revelam a atenção da Congregação Somasca à voz do Santo Padre, aos ensinamentos do Magistério e à viva Tradição da Igreja. A espiritualidade somasca é fortemente ligada a cada um desses momentos vividos pelo povo cristão.
Tanto é que foi descobrindo o rosto Misericordioso do Pai que Jerônimo deu início ao seu caminho de conversão. Após ter sido preso pelo exército inimigo o jovem Jerônimo encontra a misericórdia do Pai através do rosto materno de Maria. Acompanhado pela materna proteção da Santíssima Virgem o nobre soldado veneziano trilha os caminhos da transformação e libertação que são frutos do encontro com Deus e assim se torna soldado da divina caridade. 
Se pensarmos no Ano Santo da Misericórdia e no Ano Mariano que a pouco celebramos nos damos conta de como este caminho que nos foi proposto, de encontro com o Pai das Misericórdias e com Maria, foram também determinantes na vida de São Jerônimo. Assim como o humilde servo dos pobres nós tivemos a oportunidade de refletir e viver fortemente esta experiência que transforma profundamente aqueles que se deixam guiar pelo Espírito Santo.  
A experiência com a misericórdia de Deus fica clara através de um dos ensinamentos espirituais mais conhecidos de São Jerônimo: “Dulcíssimo Jesus, não sejais meu juiz, mas salvador”. Jerônimo chega à certeza que o olhar dócil do Pai, na manifestação infinita de sua misericórdia, faz com que Ele não lhe seja nunca juiz, mas sempre seu salvador. É a capacidade de Jerônimo de entender com todo o coração que Deus é Pai e espera constantemente o retorno do filho pródigo com os braços abertos para acolhê-lo.
Desta experiência pessoal de encontro com Deus surge à descoberta da vocação verdadeira de Jerônimo, o carisma somasco toma forma, começa a se fazer visível, o Miani entende que é chamado a ser pai em um mundo órfão de amor. Da divina paternidade Jerônimo passa à convicção da fraternidade que provém de Cristo e que faz de todos os homens irmãos na fé, filhos do mesmo Pai. 
Assim o Fundador da Companhia dos Servos dos Pobres pode exortar aos seus seguidores, com todo o seu coração de pai, a amarem-se uns aos outros, pois são todos irmãos. O reconhecimento da fraternidade gera comunhão e se manifesta no amor mútuo vivido nos pequenos detalhes do dia-a-dia. Portanto, se a convicção primordial de Jerônimo é aquela da Paternidade divina então se revela que o caminho, já apontado pelo Santo, para a construção do Reino dos céus e assim da superação da violência é a fraternidade, ponto central da Campanha da Fraternidade deste ano.  
Esta convicção de Jerônimo, sobre o impulso do Espírito Santo, ganha forma concreta na sua missão apostólica. O coração do pobre servo de Cristo volta sua atenção de modo particular para os seus irmãos mais pequeninos e abandonados. As crianças e os jovens se tornam os prediletos de Jerônimo ao ponto de afirmar que com eles quer viver e morrer. Tal foi sua predileção para com estes que o Papa Bento XVI afirmou: 
"A atenção à juventude e à sua educação humana e cristã, que distingue o carisma dos Somascos, continua a ser um compromisso da Igreja, em todos os tempos e lugares. É necessário que o crescimento das novas gerações seja alimentado não só por noções culturais e técnicas, mas sobretudo pelo amor, que vence o individualismo e o egoísmo e nos torna atentos às carências de cada irmão e irmã, também quando não é possível a retribuição, aliás, especialmente neste caso. O exemplo luminoso de são Jerônimo Emiliani, definido pelo beato João Paulo II «leigo animador de leigos», ajuda-nos a tomar a peito todas as pobrezas da nossa juventude, moral, física, existencial e, principalmente, a pobreza de amor, raiz de todos os problemas humanos sérios ."
Deste modo fica claro a importância e a necessidade do trabalho dos Religiosos Somascos junto aos jovens. Valorizando e contribuindo para um desenvolvimento integral da pessoa humana os religiosos somascos não se interessam em favorecer somente a formação profissional, mas entendem a necessidade de educar na fé, transmitir valores, mas, sobretudo formar homens de bem, capazes de ser sal da terra e luz do mundo onde estiverem. Por isso, o Santo Padre, Papa Francisco, afirmou em seu discurso aos Religiosos Somascos durante o último Capítulo Geral:
 "A característica da vossa vocação é, sobretudo, o cuidado dos últimos, em particular dos órfãos e da juventude abandonada, segundo o método educativo do vosso Fundador, fortemente centrada na pessoa, na sua dignidade, no desenvolvimento das capacidades intelectuais e manuais·."
Neste ano a Igreja volta seu olhar de modo especial para os jovens através do Sínodo dos Bispos e assim dando voz à juventude manifesta a importância destes na Igreja e na sociedade em geral. Contribuir para que os jovens entendam o papel de protagonismo que tem nas mãos faz parte da missão e do carisma somasco.
São João Paulo II em ocasião do quinto centenário do nascimento de São Jerônimo Emiliani, reconhecendo a importância da vida e da missão do santo veneziano e da família somasca, afirmou que Jerônimo foi um leigo animador de leigos . Ao contrário do que muitos pensam Jerônimo não foi sacerdote ou religioso, mas sim leigo. Não podemos negar que tenha vivido em sua vida os valores dos conselhos evangélicos dentro da sua vocação, porém permaneceu no estado laical até o último dia de sua vida. 
Jerônimo soube fascinar homens e mulheres de seu tempo levando cada um deles a uma experiência profunda com Deus. Soube despertar nos homens, guiado pela luz do Espírito Santo e reconhecendo-se humilde instrumento no qual Cristo opera e Deus manifesta a sua glória, o desejo de seguir Cristo Crucificado mais de perto. Leigo animador de leigos, Jerônimo foi autêntico cristão e fiel servo de Cristo seu amado capitão. 
Seguindo o exemplo de Jerônimo os religiosos somascos formam família junto ao povo que Deus lhes concede amar e servir. Esses devem prosseguir ativamente o trabalho de formação dos catequistas, dos animadores leigos e do clero; trabalhando com os leigos para que esses tenham a coragem de ir em frente na sua missão de testemunhar Cristo ao mundo . 
Portanto, após o exposto, podemos afirmar outra vez a atualidade do carisma e da missão somasca que, em comunhão à voz dos seus pastores, continua a ser necessária à Igreja e ao mundo sendo sinal profético do amor de Deus aos homens. Assim religiosos e leigos podem partilhar a missão somasca de ser sinal do amor paterno de Deus em um mundo tão órfão de amor. 

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