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São Jerônimo Emiliani e o seguimento do Crucificado

Por Pe. Américo Veccia, CRS
“Segui o caminho do Crucificado…”
Tentativa de compreensão da frase e prática de vida.
O Crucificado não é um fadado a ser crucificado, nem alguém a ser fisicamente imitado, por não se tratar, aqui, de um sofrimento masoquista ou derivante de um castigo.
O Crucificado de Jerônimo é a etapa última, consequencial, de uma livre e coerente escolha de Jesus de Nazaré que o levou até ser assassinado pelo método da Crucificação.
E “seguir o Crucificado” é a escolha de percorrer a mesma estrada da vida, com a mesma atitude; ir ao encontro das mesmas pessoas e tentar injetar na convivência humana, não “humana” ainda, os mesmos valores de Jesus de Nazaré; “sem saber onde essa estrada vai nos levar”, mas certos da sua mão na nossa, “pelo caminho”. (Edith Stein).
Jesus deixou sinais pelo caminho da sua vida, não soluções, eliminações mágicas das problemáticas da convivência humana e seus consequenciais sofrimentos.
Sinais, nos encontros pessoais e de situações: crianças, leprosos, cegos, surdos, pecadores e pecadoras condenáveis, famintos, estrangeiros renegados, transgressores de leis tidas como “sagradas”. Sinais que manifestam uma Fé/Confiança no Pai e uma Fé/Energia, ação, em prol do Reino de Deus, a ser realizado desde já. (Bom lembrar que etimologicamente “Energia” - energuéia - em greco, quer dizer: “força em ação”)
Jesus marcou Encontros e deixou Sinais. Presença incômoda, a ser contrastada ou até eliminada. Mas a perfeita liberdade interior de Jesus lhe faz dizer “Eu devo ir a Jerusalém”. Morte e Ressurreição.
Contemplação e “amor ao Crucificado” por parte de Jerônimo era um silêncio respeitoso e suplicante diante das chagas do seu “querido Mestre”. Era também uma Energia Santa diante das chagas vivas, das dores dos inocentes ou das feridas dos pobres e excluídos. Ele os “encontrou” pelos caminhos das suas “Venezas”, percorridas depois do seu “renascer do Alto”, durante toda sua “segunda” Vida.
Um “silêncio respeitoso e suplicante”, diante do Crucificado, que lhe restituía as energias do Ressuscitado e não o paralisava, numa contemplação estática e ineficaz para o advento do Reino.
E como seu “querido Mestre”, ele também não resolveu, magicamente, as problemáticas de uma “cidade (convivência) terrestre”, mas doou, gastou sua vida para a instauração do Reino e deixou sinais ao longo dos caminhos percorridos. E quando “chegou a hora”, crucificado por seu amor solidário, deixou gravado, em seu Testamento, que os sinais por ele deixados e a serem, por seus “filhinhos” reproduzidos, não eram dele, mas do seu Mestre: o Crucificado, por tê-los deixado, mas o Ressuscitado por tê-los realizado, nesta Humanidade de Deus.
Por esta dinâmica da História da Salvação, nossa Congregação escolheu, como seu emblema, o Cristo, “que nos precede”, carregando a Cruz.
Paixão: Amor/sofrimento que humaniza este mundo.
Depois disso, deixemos Deus ser Deus/Pai.
Paixão de Cristo, Satuba, AL 2026

Paixão de Cristo, Campinas, SP 2026
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